A doença da minha mãe agrava-se e o dia chegou.
A 12 de Agosto de 1968 a minha mãe falece. Doloroso!
De regresso à escola, agora com onze anos, acabo a quarta classe.
Durante esta época, o meu pai continuava a trabalhar como pedreiro e o meu irmão, acompanhando-o, ajudava-o como servente. Eu, continuava com as tarefas domésticas.
Nesta época era costume as raparigas aprenderem a costura. Num belo dia, o meu pai dirigiu-se a um amigo, Sr. Artur, e pediu-lhe para que a sua esposa, D. Piedade, me aceitasse como aprendiz na costura.
Com doze anos, começo a passar as minhas tardes costurando.
Estas tardes viriam a prolongar-se por três anos.
Aos treze anos, o meu pai brindou-me pela primeira vez, com uma festa de aniversário.
Bolos, arroz doce, pudim, filhoses, febras de porco, sumos, água e chá, eram a decoração da mesa da cozinha.
Lembro-me perfeitamente das minhas prendas; um par de meias brancas, uns chinelos, um caderno de apontamentos e algumas moedas.
Três ou quatro adultos e mais ou menos dez crianças, fizeram desta tarde um momento inesquecível para todos.
Um mês depois, em Abril, durante a noite, ouço o meu nome. O meu pai chama-me. Levanto-me e dirijo-me ao quarto dele…está morto!
Fazia luar nessa noite, eu estava sozinha em casa, quando ao meu pai, aconteceu o inesperado. Corri, atravessei a rua e gritei pela minha madrinha que habitava em frente. Esta ouviu e correndo, apenas veio confirmar o que eu lhe dissera.
Estava órfão de pai e mãe.
Sinto-me triste, desamparada e com um grande aperto no coração. Mas vida prossegue, durante os dois anos seguintes, continuamos a viver sozinhos. Apenas eu e o meu irmão, lutando pela vida.